04/03/2013

10/04/2012

Uma outra notícia importante na área educacional diz respeito ao índice de analfabetismo. O Censo de 2010 (IBGE) mostra uma queda no índice de analfabetismo em nosso país nos últimos dez anos (2000 a 2010). Em 2000, o número de analfabetos correspondia a 13,63% da população (15 anos ou mais de idade). Esse índice caiu para 9,6% em 2010. Ou seja, um grande avanço, embora ainda haja muito a ser feito para a erradicação do analfabetismo no Brasil. Outro dado importante mostra que, em 2006, 97% das crianças de sete a quatorze anos frequentavam a escola.

21/10/2010

Físico , matemático , astrônomo , filósofo , literato italiano, nasceu na cidade de Pisa em 15 de Fevereiro de 1564, mesmo ano da morte do pintor e escultor  Michelangelo e do nascimento do dramaturgo William Shakespeare. Filho de Vicenzo Galilei, músico, desde cedo,
demonstrou ser bom estudante. Sua família mudou-se para Florença em 1574 e Galileu foi educado pelos  monges  do
 mosteiro de Camaldolese, em uma cidade vizinha.
              Em 1581, com apenas 17 anos de idade, Galileu começou a estudar Medicina na Universidade de Pisa. Seu interesse pela Medicina nunca evoluiu. Porém era grande seu interesse pela Física e matemática. Finalmente, em 1585, Galileu abandonou a Medicina.. Foi o criador do método experimental e da dinâmica . Fez estudos importantíssimos sobre o movimento dos graves e descobriu a lei do isocronismo do pêndulo . Ensinou matemática em Pisa e em Pádua e frequentou a corte de Cosimo II de Médicis , como "filósofo" . Construiu o primeiro óculo e com isso efectuou extraordinárias descobertas de astronomia , enter as quais os satélites de Júpiter ( planetas Médicis ) , as fases de Vénus , os mares da Lua , as manchas do Sol . Defendeu as teorias de Copérnico , pelo que incorreu na perseguição do Santo Ofício , defensor do sistema ptolomaico . Teve um primeiro processo e foi proibido de continuar a defender o sistema copernicano . Mas não obedeceu e assim teve novo processo.
        Embora muito doente , foi obrigado a deslocar-se a Roma e condenado ao cárcere . A pena foi depois comutada em residência fixa , em Arcetri  perto de Florença .  Continuou a trabalhar  apesar de ter ficado cego , assistido por muitos alunos  entre os quais Evangelista Torricelli .
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GALILEI , GALILEU e Teoria de Copérnico
                                               ...
        A partir daí deu várias palestras na Academia de Florença por alguns anos. Fez também experimentos utilizando
bolas, barcos de brinquedo, pêndulos e outros objetos, observando como eles caíam, flutuavam e oscilavam.
Media e marcava o tempo de seus movimentos, e tentava imaginar explicações matemáticas para eles.
        Em 1533, o matemático e astrônomo polonês Nicolau Copérnico publicara sua grande obra - Sobre as Revoluções
dos Corpos Celestes - defendendo a teoria de que a Terra se move em torno do Sol e não o contrário. Essa teoria
seria defendida e desenvolvida por Galileu e seu contemporâneo Johannes Kepler, que descreveu a trajetória
elíptica dos planetas. A síntese desse trabalho foi a Teoria da Gravitação Universal, formulada pelo físico inglês
Isaac Newton que por coincidência nasceu em 1642, o mesmo ano em que Galileu morreu.
        Por ter afirmado que a Terra se move em torno do Sol, Galileu , um dos gênios da revolução científica do  século  17, foi preso e obrigado à uma retratação humilhante.
                                               ...
        Aos 17 anos, assistindo à uma cerimônia na catedral de Pisa, observou um lustre que oscilava no teto.
        Controlando o tempo pelos seus próprios batimentos cardíacos, verificou que o intervalo entre cada oscilação era
sempre o mesmo, não importando a amplitude do movimento. Repetiu a experiência mais tarde, e sugeriu que essa
característica do pêndulo poderia tornar os relógios mais precisos.
Galileu, ao abandonar a Faculdade de Medicina, foi lecionar em Florença. Durante os quatro anos em que
trabalhou ali, publicou um trabalho em que descrevia a balança hidrostática, uma invenção sua. Graças a esse
trabalho, tornou-se aos 25 anos, professor de Matemática, e foi lecionar na Universidade de Pisa.
        Em Pádua, onde viveu dezoito anos - de 1592 a 1610 - lecionando matemática, já estava convencido do acerto das
teorias de Copérnico sobre a movimentação dos astros, mas em suas aulas continuava a ensinar que a Terra era o
centro do Universo, e em torno dela giravam planetas e estrelas. Não tinha medo da Inquisição ainda, pois nessa
época a Igreja não dava importância ao assunto. Conforme confessou numa carta escrita à Kepler, datada de   1597,
temia ser ridicularizado. E tinha razão. A imobilidade da Terra não era apenas uma teoria defendida pela tradição da
escola de Aristóteles, mas sobretudo parecia perfeitamente de acordo com o senso comum.Qualquer pessoa pode
observar, diariamente, que o Sol, a Lua e as estrelas se movimentam; no entanto, nada havia, na época, que
pudesse mostrar o movimento da Terra, sugerido apenas teoricamente em complicados cálculos matemáticos.
                                               ...
     Aponta o telescópio para o céu...
                                               ...
        Por volta de 1600, surgiram os primeiros telescópios, na Holanda, e logo se espalharam por toda a Europa. Galileu
construiu seu próprio telescópio sem nunca ter visto um.
        Bastou-lhe a descrição do instrumento que aparecera em Veneza. O grande mérito de Galileu foi apontar o seu
telescópio para o céu. Descobriu, assim, tantas coisas novas que em poucos meses escreveu e publicou o
Sidereus Nuncius (O Mensageiro das Estrelas), com apenas 24 páginas, mas rico em revelações. Relatou que a Lua não
tem superfície lisa, mas está cheia de irregularidades, como a Terra. Percebeu que a Via Láctea não era constituída, como dizia Aristóteles, por "exalações celestiais", mas era um aglomerado de estrelas. Viu uma quantidade muito maior de estrelas do que era possível a olho nu. E descobriu, também, quatro satélites girando em torno de Júpiter.
        Galileu observou as irregularidades na superfície da lua ao apontar seu telescópio para o céu...
        Não havia, ainda, nenhuma prova conclusiva do acerto do sistema heliocêntrico proposto por Copérnico. Mas ja
ficava difícil admitir que a Terra era o centro do Universo, se havia corpos girando ao redor de Júpiter. E como
acreditar no dogma de que as estrelas haviam sido criadas para deleite dos homens, se a maior parte delas era
invisível a olho nu?
                                               ...
     Galileu e os Diálogos
                                               ...
        Em 1632, Galileu publicou os Diálogos sobre os dois maiores sistemas do mundo - Ptolomeu e Copérnico. A obra
reproduzia uma conversa entre três personagens: Salviati, que defende as teses de Copérnico; Sagredo, um observador
neutro; e Simplicius, defensor de Aristóteles e Ptolomeu.
        Salviati é sempre brilhante, Sagredo logo abandona a  imparcialidade e passa a apoiá-lo com entusiasmo e
Simplicius é pouco mais que um idiota, ridicularizado do princípio ao fim. Os Diálogos acabaram proibidos, Galileu foi
interrogado diversas vezes, e mesmo sob ameaça de tortura, não confessou que acreditava mesmo no que dizia
Copérnico. Galileu não confessou, e recebeu a sentença: os Diálogos ficaram proibidos, Galileu obrigado a negar a
prisão domiciliar.
        Não se pode dizer que fora maltratado materialmente. Sua prisão era um apartamento de cinco aposentos, com
janelas dando para os jardins do Vaticano, criado particular e mordomo para cuidar das refeições e do vinho. Seus  últimos anos de vida, na companhia dos discípulos Torricelli e Vicenzo Viviani, foram dos mais produtivos. Em
1636 terminou Diálogos relativos à duas novas ciências, obra na qual retoma, de forma ordenada, observações
sobre dinâmica que fora acumulando durante toda a vida.
        Em 8 de Janeiro de 1642, Galileu morreu. Foi enterrado na Capela de Santa Croce, em Florença.
 

resumo da religiao da roma antiga

RESUMO DOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO
O Pentateuco - é o nome dado aos cinco primeiros livros da Bíblia (Gen, Ex, Lev, Num, Dt) e constituem a Lei de Moisés ou Torá.
O livro do Gênesis - narra as origens do homem e do mundo criados por Deus, e apresenta-nos a maravilhosa história dos Patriarcas: Abraão, Isac e Jacó. A mensagem deste livro é importantíssima. Entre outras coisas traz a revelação de Deus sobre os seguinte pontos:
1 - Deus é o Criador do mundo e do homem.
2 - Deus é distinto do universo; quer dizer, não existe o Panteísmo que defende que Deus e o mundo são a mesma coisa; e o mundo seria apenas uma ¨emanação de Deus¨.
3 - O mundo é bom.
4 - O mundo criado manifesta a glória e a paz de Deus.
5 - O homem foi criado da terra, mas foi animado de um espírito de vida (alma) imortal, criado e dado por Deus.
6 - O homem foi criado para viver na amizade de Deus.
7 - O homem foi criado livre.
8 - A harmonia primitiva foi destruída pelo pecado da desobediência a Deus. O homem tem a vã esperança de ser Deus (pecado original).
9 - O homem foi excluído do Paraíso.
10 - Deus faz a Promessa de Redenção da humanidade através da Mulher.
11 - O homem foi dominado pelo pecado e o mal se generaliza: Caím, Torre de Babel, Sodoma e Gomorra, etc..
12 - Deus faz uma primeira aliança com o homem através de Noé.
13 - Deus continua a aliança com Abraão, Isac e Jacó.
O livro do Êxodo - narra a ida do povo de Israel para o Egito e a escravidão alí sofrida. Deus chama Moisés e através dele tira o povo do Egito milagrosamente; em seguida estabelece uma Aliança com Moisés e dá ao Povo os seus Mandamentos, leis, preceitos, ritos e cultos.
O livro do Levítico - narra as Leis dos rituais, as leis sociais, as prescrições, as bênçãos e maldições, os sacrifícios oferecidos a Deus (holocaustos, oblações, sacrifícios pacíficos, sacrifícios de expiação). Era o livro dos levitas ou sacerdotes do povo. São as leis relativas ao culto e à santidade do povo.
O livro dos Números - fala do recenseamento do povo feito por Moisés no deserto e apresenta as listas de nomes e números. Contém ainda outras leis misturadas com a narrativa da caminhada até as margens do rio Jordão.
O livro do Deuteronômio, que quer dizer ¨segunda lei¨, consta de cinco sermões de Moisés que recapitulam a Lei e narra o fim da vida de Moisés.
Os livros Históricos - Há 16 Livros históricos na Bíblia (Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, I e II Macabeus) que narram a história do povo hebreu desde a entrada na Terra Prometida até os tempos dos Macabeus, já próximo de Jesus cerca de 150 anos.
O livro de Josué - Narra a árdua missão de Josué, indicado por Deus a Moisés para ser o seu sucessor e introduzir o povo na Terra prometida, fazendo o povo viver as leis que Deus deu a Moisés, distribuindo a terra entre as tribos de Israel e lutando contra os cananeus. Mostra a fidelidade de Deus às suas promessas feitas ao povo. É uma continuação lógica do Pentateuco.
O livro dos Juízes - narra as suas histórias desde a morte de Josué até Samuel. Josué ao morrer não deixou sucessor. As doze tribos de Israel já estavam estabelecidas na terra prometida, mas não tinham um governo central, mas eram unidas pela religião monoteísta (um só Deus), diferente dos outros povos de Canaã que tinham muitos deuses (Baal, Aserá, Astarte). Israel convivia com esses povos pagãos e muitas vezes caiu na idolatria. Neste contexto Deus suscitou os Juízes em Israel. Eram heróis, muitas vezes dotados de força física ou carismas especiais para libertarem uma ou mais tribos de Israel dominadas pelos extrangeiros. Não tinham sucessores nem dinastia, não promulgavam leis e nem impunham impostos. São o testemunho vivo de que Javé jamais abandonou o seu povo. Entre os grandes juízes encontramos Eli e Samuel, que foram os únicos que tiveram autoridade sobre todo o Israel, embora não tinham sido chefes de exércitos como os outros. Ao todo foram doze juízes. Os maiores foram Otoniel (da tribo de Judá), Aod (Benjamim), Barac (Neftali), Gedeão (Manassés), Jefté (Gad), Sansão (Dã). Os menores são Samgar (Simeão), Tolá (Issacar), Jair (Galaad), Abesã (Aser), Elon (Zabulon) e Abdon (Efraim). Os 21 capítulo de Juízes cobre um período de quase 200 anos que vai de 1250 a 1050, da morte de Josué até o primeiro rei de Israel, Saul.
O livro de Rute - é posterior ao exílio na Babilônia (587 - 537 AC). Conta a bela história de Rute, a moabita que desposou Booz, israelita, e dos quais nasceu Obed, o pai de Jessé, que foi o pai do rei Davi. A finalidade do livro é transmitir uma história edificante sobre as origens da família de Davi, que teve, então, entre os seus antepassados uma moabita, isto é, um membro que não era do povo judeu, e até seu inimigo. Isto já ensina a universalidade da salvação preparada por Deus para todos os homens (cf. Rt 2,12). O mesmo se dá com o livro de Jonas. Mateus, na genealogia de Jesus, faz questão de citar Rute, para significar que Ele não é filho apenas de israelitas, e Salvador não só dos judeus, mas de todos os homens.
Os livros de Samuel - foram escritos após o ano 622AC, e narra as histórias de Samuel, o último dos Juízes, do rei Saul e do rei Davi. Continuam as narrações contidas nos livros dos Juízes e cobrem um período da história de Israel de 1050 a 970 aC. Samuel, o último dos juízes foi incumbido por Deus para sagrar o primeiro rei de Israel, Saul.
Os livros dos Reis - narram a história dos reis de Israel, Saul, Davi, Salomão, etc. , e vai até o exílio do ano 587aC quando aconteceu o exílio para a Babilônia. Narra a construção do Templo por Salomão, a separação das 12 tribos de Israel em dois reinos rivais (Samaria e Judá), e conta, entre outras coisas, a queda de ambos os reinos, a destruição de Jerusalém, , a história de Elias, Eliseu, a Reforma de Josias e a destruição de Jerusalém pelos babilônios. O livro cobre cerca de 400 anos de história de Israel (970-570 aC). Começa com os últimos dias de Davi e vai até a libertação de Jeconias, rei de Judá, detido na Babilônia (561). O livro conta a história dos dois reinos de Israel separados e rivais. Apresenta os doze reis de Judá, todos da descendência de Davi; e os dezenove reis da Samaria, pertencentes a nove dinastias diferentes, perdendo, então, a descendência de Davi.
Os dois livros das Crônicas I e II(ou Paralipômenos = as coisas omitidas) - formam com os livros de Esdras e Neemias um bloco homogêneo chamado de ¨obra do Cronista¨. Narram as histórias de Israel, repetindo ou completando o que já foi narrado em Samuel e Reis. Na
verdade, reapresenta a história narrada em Samuel e Reis, mas com uma perspectiva ainda mais religiosa. Trazem uma tabela genealógica desde Adão até Davi; a história do rei Davi, de Salomão e dos reis de Judá, e procura dar um significado teológico aos acontecimentos narrados.
O livro de Esdras (sacerdote) e Neemias (governador) - são do mesmo autor das Crônicas e contam as histórias desses personagens importantes que restabeleceram a restauração religiosa e moral de Israel após o exílio da Babilônia. Cobre uma época que vai de 538 a 430 aC. Narram a construção e a dedicação do Templo, a reconstrução das muralhas e da cidade de Jerusalém. É o tempo dos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias. Foi o renascimento do judaísmo após o exílio, a partir de Judá que volta do exílio; e daí nascerá o Messias. Por isso Esdras é chamado o ¨ pai do Judaísmo¨.
Os livros de Tobias, Judite e Ester - são livros escritos no gênero literário chamado de midraxe, que é a narração de um fato histórico com ênfase religiosa, isto é, na ação de Deus que age em defesa dos fiéis, realçando os aspectos edificantes e moralizantes dos fatos narrados, com o intuito de formar os leitores. São histórias edificantes que não se pode saber bem quando ocorreram, e que não se referem a todo o Israel, mas apenas a uma pessoa, família (Tobias) ou cidade (Judite). São belos livros, de leitura muito edificante, que mostram a ação de Deus, na vida de uma pessoa, de uma família ou de uma cidade que nele confia. É importante notar a figura de duas mulheres, usadas por Deus para a sua obra de salvar o seu povo. Ester é figura de Nossa Senhora.
Os livros dos Macabeus - contam a história do povo Judeu no tempo da opressão dos sírios, especialmente pelo rei Antíoco IV Epífanes (175 -163), que queria obrigar o povo a praticar as leis pagãs e rejeitar a lei de Deus. Levantou-se Matatias, sacerdote, como chefe de guerrilha e guerra contra os sírios, com os seus filhos João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas. A revolta dos Macabeus surgiu por esta causa e vai aproximadamente de 175 a 163 aC., já no limiar da chegada de Jesus.
Do tempo de Esdras (400) até os Macabeus (175), temos um período de cerca de 225 anos dos quais a Bíblia nada fala. Parece terem sido tempos de paz, embora Israel ainda vivesse sob o jugo de Alexandre Magno, e depois os sírios.
Os livros sapienciais - Há 7 livros na Bíblia que são chamados de Sapienciais, isto é, que falam da sabedoria de Deus. Vamos examiná-los.
O livro de Jó - foi escrito no século V antes de Cristo, e medita sobre a questão do sofrimento humano. Por que sofrem os bons? A sua mensagem principal é que o homem deve humilhar-se no sofrimento e confiar em Deus que sabe tirar o bem até mesmo do mal. Mostra a vitória, pela fé, de um homem que mesmo coberto de lepra da cabeça aos pés, sabe ainda confiar em Deus, sem perder a fé e sem blasfemar. A grande mensagem do livro é que não podemos conhecer todas as causas do sofrimento, mas devemos fazer um ato de confiança absoluta em Deus. E não ficaremos frustrados.
O livros dos Salmos - contém 150 salmos de Davi, Salomão e outros. Eram orações ¨cantadas com o acompanhamento de instrumentos de corda¨. Era por excelência o livro de oração dos judeus e também da nossa Igreja. Canta os louvores de Deus, as lamentações do povo, os cânticos religiosos, os poemas e as súplicas. Exprimem as mais diversas situações de ânimo; adoração, louvor, perseguição, saudades do santuário, desejo de Deus, confissão dos pecados, esperança em Deus que salva, oráculos messiânicos, cânticos de Sion, etc..
O livro dos Provérbios - trazem a riquíssima sabedoria que o povo judeu armazenou durante a vida muito sofrida, especialmente no exílio. É o mais representativo da literatura sapiencial bíblica, que datam do século X a.C., às quais foram acrescentadas normas que são do séc IV /III aC. Aos poucos a sabedoria foi tomando aspecto religioso, com as suas raízes no ¨temor do Senhor¨, e procura agradar a Deus. É vista como um dom de Deus. Os sábios atribuíam a ao próprio Deus a sabedoria. O termo provérbio vem do hebraico ¨Meschalim¨, que quer dizer ¨Máximas¨. O livro consta de nove coleções de máximas, as mais antigas atribuídas a Salomão.
O livro do Eclesiastes - é parecido com o livro de Jó; uma vez que ambos tratam da questão do sofrimento. O termo eclesiastes quer dizer ¨orador¨ ou ¨pregador¨, aquele que fala na assembléia. Enquanto Jó parte a realidade do mal, Eclesiastes parte da vaidade e da deficiência de todos os bens. Quem lê o livro pode à primeira vista ficar confuso, quando recomenda o gozo dos bens materiais; no entanto são apenas reflexões que o autor faz consigo mesmo, contraditórias, antes de chegar às conclusões. Por fim termina dizendo: ¨teme a Deus e guarda os seus mandamentos¨. O autor do livro não é Salomão, mas um judeu da Palestina que viveu no séc. III a.C.
O livro do Cântico dos Cânticos - quer dizer ¨o mais belo dos cânticos¨ . O tema do livro é o amor de um homem chamado Salomão e rei por uma jovem chamada de ¨a sulamita¨, guarda de vinhas e pastora. A interpretação é a seguinte: sob a imagem do esposo é figurado o próprio Deus e, sob a imagem da esposa, a filha de Sion, o povo de Israel, que Deus escolheu entre todas a nações. Na perspectiva cristã é a figuração de Cristo (Esposo) e a Igreja (Esposa).Os místicos viram também na figura da esposa a Virgem Maria e, também, qualquer alma fiel a Deus. As fortes cenas de amor são uma maneira oriental de se expressas e não devem nos impressionar ou levar-nos a conclusões erradas; são fortes para mostrar o quanto Deus ama a humanidade.
O livro da Sabedoria - foi escrito por um judeu de Alexandria no norte do Egito, com o objetivo de fortalecer a fé dos judeus que viviam nesta região, de modo a não aderirem à religião dos povos desta região. Muitos judeus viviam nesta rica cidade fundada por Alexandre Magno (†324a.C). O autor exalta a Sabedoria judaica, cuja origem é Deus; e quer mostrar que ela nada é inferior à grega, que domina Alexandria.
O livro do Eclesiástico (ou Sirácidas) - A tradução grega é ¨Sabedoria de Jesus filho de Sirac¨. Os cristãos de língua latina o chamavam de ¨Ecclesiasticus¨, já que era usado para ensinar os bons costumes aos catecúmenos que se preparavam para o Batismo. Era o livro da ¨Ecclesia¨ (Igreja). É um pouco parecido com o livro dos Provérbios, mas revela uma fase mais avançada do pensamento dos judeus. O livro deve ter sido escrito aproximadamente no ano 190 aC em Jerusalém, em hebraico, e depois foi traduzido para o grego em 132 aC.
Os livros proféticos - são 18. A partir de Samuel (sec.XI a.C) até Malaquias (sec.V a.C) a série dos profetas foi ininterrupta e eles exerceram papel muito importante no reino de Israel: eram conselheiros dos reis, censuravam as injustiças, condenavam toda idolatria, etc.
Os profetas Isaías, Jeremias, Oséias, e Amós, atuaram antes do exílio (587-538 a.C) e mostravam aos reis e ao povo as suas faltas, pelas quais Deus os abandonaria nas mãos dos estrangeiros.
Os profetas Ezequiel e o ¨segundo¨ Isaías (Is 40-55) agiram durante o exílio procurando erguer o ânimo do povo.
Os profetas Ageu, Zacarias e Malaquias atuaram depois do exílio incentivando o povo a reconstruir o Templo e os muros de Jerusalém, além de empreender a reforma religiosa, moral e social da comunidade judaica e predizendo a glória do futuro Messias.
Os profetas Oséias, Amós, Miquéias, Joel, Abdias, Jonas, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, em número de 12, são chamados de profetas menores, não porque não foram importantes, mas porque nos deixaram escritos pequenos, que já no século II antes de Cristo eram colecionados em um só volume (rolo). Não é possível se saber com exatidão a época em que cada um deles atuou, mas sabemos que agiram do século VIII ao século III a.C. e fornecem dados importante da história de Israel e dos povos vizinhos.
O livro de Isaias - o profeta viveu de 740 a 690aC. Mas não foi o único autor de todo o livro. Este está dividido em três partes: Isaias I (capítulos 1-39) é do tempo do profeta; Isaias II (40-55) é da época do exílio da Babilônia (587-638aC) e Isaias III (56-66) foi escrito após o exílio na época da restauração do povo na sua terra. O profeta Isaías era filho de nobre família de Jerusalém, poeta , foi conselheiro dos reis Jaotã, Acaz e Ezequias numa época de infidelidade moral e religiosa por parte do povo de Israel. O livro de Isaías, por isso, é dito da ¨escola de Isaías¨; isto é, seus discípulos devem ter continuado a obra do mestre através dos séculos.
O livro de Jeremias - O profeta viveu de 650 a 567aC, nasceu perto de Jerusalém. O reino de Judá estava cada vez mais ameaçado pelos adversários, e o profeta anunciou a ruína da Cidade Santa e do Templo, por isso foi condenado à morte pelos sacerdotes e falsos profetas, mas escapou da morte. O livro contém os quarenta anos de pregação do profeta.
O livro das Lamentações - é uma coleção de cinco cânticos que choram a queda da Cidade Santa de Jerusalém ocorrida e 587aC. Os quatro primeiros são acrósticos. Reconhece a culpa do povo por causa dos seus pecados e o convoca à penitência e à oração.
O livro de Baruc - Baruc foi conselheiro e secretário (amanuense ) de Jeremias. Acompanhou-o ao Egito após a queda de Jerusalém em 587aC; o autor trato do povo no exílio da Babilônia e exorta-o para que não caia na idolatria dos babilônios, viva a lei de Moisés e não desanime.
O livro de Ezequiel - O profeta Ezequiel (= Deus dá força), era sacerdote, casado, e perdeu a esposa um pouco antes da queda de Jerusalém em 587aC. Exerceu o seu ministério até 571aC e, segundo uma tradição judaica morreu apedrejado pelos judeus. Acompanhou o povo de Judá na fase mais crítica da sua história, quando Jerusalém caiu sob Nabucodonosor. O livro de Ezequiel tem quatro partes: 1- (cap. 4-24), onde censura os judeus antes da queda de Jerusalém por causa dos seus pecados; 2- (cap. 25-32), que contém oráculos contra os povos estrangeiros que oprimiram os hebreus; 3 - (cap. 33-39), consola o povo durante e após o cerco de Jerusalém, prometendo-lhe tempos melhores; 4 - (40-48), descreve a nova cidade e o novo Templo após a volta do exílio.
O livro de Daniel - O profeta Daniel (=Deus é meu juíz), é o principal personagem do Livro. Os capítulos de 1 a 6 formam um núcleo histórico e contam a históri do profeta. Daniel foi um hebreu deportado para a Babilônia em 606 aC, fiel à lei de Deus, que o enriqueceu com dons diversos, tendo-se tornado importante na corte de Babilônia. Os capítulos 7 a 12 tem uma forma apocalíptica, que tem o seguinte sentido: na época em que os judeus estavam oprimidos por Antíoco Epifanes (167-164 aC) um hebreu piedoso escreveu a história dos último séculos de Israel, com a finalidade de animar os irmãos e apresentou a sua época como próxima da libertação messiânica. Faz referência ao Filho do Homem (7,13) e ao seu reino definitivo sobre as nações. Mais do que um livro profético, é um Midraxe e um Apocalipse, escrito no século II aC, não pelo profeta, mas por alguém que contou a sua história.
Os profetas menores
Amós - era natural de Técua (Judá). Pastor de gado e cultivador de sicômoros. Exerceu o chamado profético no reino da Samaria, sob o rei Jeroboão (783-743 aC). Pregou contra o luxo, a depravação dos costumes, o culto idolátrico, previu a queda do reino da Samaria em 721aC nas mãos dos Assírios. Foi um ministério curto mas forte.
Oséias - pregou também no reino do norte, da Samaria, sob Jeroboão II (783-743 aC). O livro mostra as relações de Javé com o povo judeu simbolizadas pelo casamento do profeta, que se casa com uma mulher leviana (Gomer), que o engana; mas que cai na escravidão; é, então resgatada pelo profeta que a recebe de novo como esposa. O tema principal do livro é o amor de Javé pelo seu povo.
Miquéias - profetizou sob Joatã, Acaz e Ezequias, reis de Judá (740-690 aC). Deve ter conhecido a queda do reino do norte em 721 e a invasão de Judá em 701 por Senaquerib. O profeta Jeremias cita um dos seus oráculos contra Judá (Jr 26, 18). Encontramos neste livro uma notável profecia messiânica (5,1-4).
Sofonias - Exerceu seu ministério sob o piedoso rei Josias (640-609 aC), que fez uma forte reforma religiosa em 622 (2Rs22,3-23,21). A mensagem principal de Sofonias é o anúncio do Dia do Senhor, também abordado por Amós e Isaías. O Senbor salvará o resto do seu povo, que lhe servirá na justiça, na humildade e na piedade.
Naum - era natural de Elcós. Trata somente da queda de Nínive, capital do império Assírio, que ameaçava os povos vizinhos e Judá. O livro é pouco anterior à queda de Nínive em 612 aC.
Habacuc - O livro trata do tema ¨porque o ímpio prevalece sobre o justo e o oprime?¨. É da época das ameaças dos Assíris sobre Israel. O Senhor responde indicando a queda final dos ímpios e a vitória dos justos. Mostra que Deus, por caminhos obscuros, prepara a vitória do direito e dos justos. ¨O justo viverá pela fé¨ (Hab 2,4; Rm 1, 17; Gal 3, 11; Hb 10,38).
Ageu - este profeta dá início ao último período dos profetas, após o exílio. O tom e a da Restauração. Ageu acompanha o povo na volta da Babilônia. Essa gente era hostilizada pelos estrangeiros que moravam na Judéia e nos países vizinhos, passava dificuldades. Então o profeta exorta este povo a reconstruir o Templo, e isto como condição para a vinda de Javé e do seu reino. Exerceu seu ministério no ano 520aC.
Zacarias - Exerceu o ministério também por volta do ano 520aC., após o retorno do exílio. O livro se refere a oito visões do profeta que tratam da restauração e da salvação de Israel. Seguem-se os oráculos messiânicos. A segunda parte do livro é de difícil entendimento, com fatos históricos difíceis de conhecer e com um apocalipse que descreve as glórias de Jerusalém nos últimos tempos.
Malaquias - seu nome significa ¨meu mensageiro¨. Dois grandes temas são abordados pelo profeta: as faltas dos sacerdotes e dos fiéis na celebração do culto; e o escândalo dos matrimônios mistos e dos divórcios. O Senhor anuncia o dia do Senhor que purificará os sacerdotes e levitas, punirá os maus e concederá o bem aos justos. Fala da promessa da vinda de Elias que precederá o dia do juízo final. O livro de aproximadamente 515 aC, anterior à proibição dos casamentos mistos devida à reforma de Esdras e Neemias em 445 aC.
Abdias - é o menor dos livros proféticos, e de difícil entendimento. Dirigido a Edom, povo vizinho de Judá, sob o rei Jorã (848-841 aC). O livro exalta a justiça e o poder de Javé, que age como defensor do direito.
Joel - o livro foi escrito após o exílio, próximo do ano 400aC. É um compêndio da escatologia (últimos tempos) judaica. Descreve o Dia do Senhor, caracterizado pela efusão do Espírito Santo, o juízo sobre as nações e a restauração messiânica do povo eleito. O ataque dos gafanhotos, da primeira parte, indica os acontecimentos que antecederão imediatamente o Dia do Senhor. A segunda parte tem a forma de um apocalípse que descreve a intervenção final de Deus na história, com abalo cósmico.
Jonas - é diferente de todos os outros livros proféticos. Narra a história de um profeta, Jonas, que recusou a ordem do Senhor para que fosse pregar aos ninivitas. Milagrosamente conduzido pela providência divina chega a Nínive e consegue converter a grande cidade. Deus lhe ensina que a sua misericórdia atinge a todos os povos. É uma narração didática, parabólica, não história, para mostrar aos judeus do século V aC, muito nacionalistas, que a salvação é universal.
RESUMO DOS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO
Os Evangelhos
A palavra ¨Evangelho¨ vem do grego ¨evangélion¨, que quer dizer ¨Boa Notícia¨. Para os apóstolos era ¨aquilo que Jesus fez e disse¨(At 1,1). É a força renovadora do mundo e do homem.
A Igreja reconhece como canônicos (inspirados por Deus) os quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são chamados de ¨sinóticos¨ porque podem ser lidos em paralelo, já o de São João é bastane diferente. Existem também evangelhos apócrifos que a Igreja não reconheceu como Palavra de Deus. São os de Tomé, de Tiago, de Nicodemos, de Pedro, os Evangelhos da Infância, etc. Eles contém verdades históricas junto narrações fantasiosas e heresias.
Os evangelhos são simbolizados pelos animais descritos em Ez 1,10 e Ap 4,6-8: o leão (Marcos), o touro (Lucas), o homem (Mateus), a águia (João). Foi a Tradição da Igreja nos séculos II a IV que tomou esta simbologia tendo em vista o início de cada evangelho. Mateus começa apresentando a genealogia de Jesus (homem); Marcos tem início com João no deserto, que é tido como morada do leão; Lucas começa com Zacarias a sacrificar no Templo um touro, e João começa com o Verbo eterno que das alturas desce como uma águia para se encarnar.
Jesus pregou do ano 27 a 30 sem nada deixar escrito, mas garantiu aos Apóstolos na última Ceia, que o Espírito Santo os faria ¨relembrar todas as coisas¨ (Jo14, 25) e lhes ¨ensinaria toda a verdade¨ (Jo 16,13). Desta promessa, e com esta certeza, a Igreja que nasceu com Pedro e os Apóstolos, sabe que nunca errou o caminho da salvação. De 20 a 30 anos após a morte de Jesus os Apóstolos sentiram a necessidade de escrever o que pregaram durante esses anos, para que as demais comunidades fora da Terra Santa pudessem conhecer a mensagem de Jesus.
O Evangelho de Mateus - é o primeiro que foi escrito, em Israel e em aramaico, por volta do ano 50. Serviu de modelo para Marcos e Lucas. O texto de Mateus foi traduzido para o grego, tendo em vista que o mundo romano da época falava o grego. O texto aramaico de Mateus se perdeu. Já no ano 130 o Bispo Pápias, da Frígia, fala deste texto.
Também Santo Irineu (†200), que foi discípulo de S. Policarpo, que por sua vez foi discípulo de S. João evangelista, fala do Evangelho de Mateus, no século II.
Comprova-se aí a historicidade do Evangelho de Mateus. Ele escreveu para os judeus de sua terra, convertidos ao cristianismo. Era o únicos dos apóstolos habituado à arte de escrever, a calcular e a narrar os fatos. Compreende-se que os próprios Apóstolos do tenham escolhido para esta tarefa. O objetivo da narração foi mostrar aos judeus que Jesus era o Messias anunciado pelos profetas, por isso, cita muitas vezes o Antigo Testamento e as profecias sobre o Messias. Como disse Renan, o evangelho de Mateus tornou-se ¨o livro mais importante da história universal¨.
O Evangelho de Marcos - S. Marcos não foi apóstolo, mas discípulo deles, especialmente de Pedro, que o chama de filho (1Pe 5,13). Foi também companheiro de S. Paulo na primeira viagem missionária (At 13,5; Cl 4, 10; 2Tm 4,11). O testemunho mais antigo sobre a autoria do segundo evangelho, é dado pelo famoso bispo de Hierápolis, na Ásia Menor, Pápias (†135).
O Evangelho de Lucas - Lucas não era judeu como Mateus e Marcos (isto é interessante!), mas pagão de Antioquia da Síria (Cl 4, 10-14). Era culto e médico. Ligou-se profundamente a S. Paulo e o acompanhou em trechos da segunda e terceira viagem missionária do apóstolo (At 16, 10-37; 20,5-21). No ano de 60 foi para Roma com Paulo (At 27,1-28) e ficou com ele durante o seu primeiro cativeiro (Cl 4, 14; Fm 24) e acompanhou Paulo no segundo cativeiro (2Tm 4,11). A Tradição da Igreja dá seguinte testemunho deste Evangelho.
O texto foi escrito em grego, numa linguagem culta e há uma afinidade com a linguagem e a doutrina de S. Paulo. foi escrito por volta do ano 70. Como escreveu para os pagãos convertidos ao cristianismo, não se preocupou com o que só interessava aos judeus.
Mateus mostra um Jesus como Mestre notável por seus sermões - o novo Moisés, Marcos o apresenta como o herói admirável ( o Leão da tribo de Judá - Ap 5,5), Lucas se detém mais nos traços delicados e misericordiosos da alma de Jesus. É o evangelho da salvação e da misericórdia. É também o evangelho do Espírito Santo e da oração. E não deixa de ser também o evangelho da pobreza e da alegria dos pequenos e humildes que colocam a confiança toda em Deus.
O Evangelho de João - S. João era filho de Zebedeu e Salomé (cf. Mc 15,40) e irmão de Tiago maior (cf. Mc 1, 16-20). Testemunhou tudo o que narrou, com profundo conhecimento. É o ¨discípulo que Jesus amava¨ (Jo 21,40). Este evangelho foi escrito entre os anos 95 e 100 dC., provavelmente em Éfeso onde João residia.
João não quis repetir o que os três primeiros evangelhos já tinham narrado, mas usou essas fontes. Escreveu um evangelho profundamente meditado e teológico, mais do que histórico como os outros. Contudo, não cedeu a ficções ou fantasias sobre o Mestre, mostrando inclusive dados que os outros evangelhos não tem. Apresentando essa doutrina ele quis fortalecer os cristãos contra as primeiras heresias que já surgiam, especialmente o gnosticismo que negava a verdadeira encarnação do Verbo. Cerinto e Ebion negavam a divindade de Jesus, ensinando a heresia segundo a qual o Espírito Santo descera sobre Jesus no batismo, mas o deixara na Paixão. É um evangelho profundamente importante para a teologia dogmática e sacramental especialmente.
Os Atos dos Apóstolos
Não há dúvida de que foi escrito por S. Lucas, médico e companheiro de S. Paulo. Conta a história da Igreja, desde Pentecostes, guiada pelo Espírito Santo, até chegar em Roma com S. Pedro e S. Paulo.
Teofilacto (†1078) dizia que: Os evangelhos apresentam os feitos do Filho, ao passo que os Atos descrevem os feitos do Espírito Santo¨.
O livro se divide em duas partes: uma que é marcada pela pessoa de Pedro (At 1 a 12), e a outra marcada por Paulo (At 13 a 28) . Pedro leva o evangelho de Jerusalém à Judéia e à Samaria, chegando até a conversão marcante do primeiro pagão, batizado, Cornélio (At 10,1-11), o que abriu a porta da Igreja para os não judeus. Paulo promove a evangelização dos gentios mediante três viagens missionárias de grande importância. O capítulo 15 é a ligação entre as duas partes do livro, mostrando Pedro e Paulo juntos em Jerusalém, no ano 49, no importante Concílio de Jerusalém, que aboliu a circuncisão e reconheceu que o Reino de Deus é para toda a humanidade.
O testemunho mais antigo de que Lucas é o autor dos Atos é o chamado cânon de Muratori, do século II, que afirma:
¨As proezas de todos os apóstolos foram escritas num livro. Lucas, com dedicatória ao excelentíssimo Teófilo, aí reconheceu todos os fatos particulares que se desenrolaram sob seus olhos e os pôs em evidência deixando de lado o martírio de Pedro e a viagem de Paulo da Cidade (Roma) rumo à Espanha.¨
Notamos que o início de Atos dá uma sequência lógica ao final do evangelho de Lucas, e ambos são dedicados a Teófilo, além de que o estilo e o vocabulário são parecidos. Segundo São Jerônimo (348-520) os Atos foram escritos em Roma, quando Lucas estava alí ao lado de Paulo prisioneiro, em grego, por volta do ano 63.
Os Atos dos Apóstolos são portanto o primeiro livro de História da Igreja nascente, escrito por uma testemunha ocular dos fatos, que os narrou de maneira precisa e sóbria. Aí podemos conhecer o rosto da Igreja no primeiro século, sua organização, etc. É o evangelho do Espírito Santo.
As cartas de São Paulo
Paulo (ou Saulo) nasceu em Tarso na Cilícia (Ásia menor) no início da era cristã, de família israelita, muito fiel à doutrina e à tradição judaica; seu pai comprara a cidadania romana, o que era possível naquele tempo, então Saulo nasceu como cidadão romano, legalmente. Aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém onde recebeu a formação do rabino Gamaliel (At 22,3; 26,4;5,34), e foi formado na arte rabínica de interpretar as Escrituras, e deve ter aprendido a profissão de curtidor de couro, seleiro. Por volta do ano 36 era severo perseguidor dos cristãos, mas se converteu espetacularmente quando o próprio Senhor lhe apareceu na estrada de Jerusalém para Damasco, onde foi batizado por Ananias. Em seguida permaneceu num lugar perto de Damasco chamado Arábia. No ano 39 se encontrou com Pedro e Tiago em Jerusalém (Gal 1, 18) e depois voltou para Tarso (At 9,26-30) acabrunhado pelo fracasso do seu trabalho em Jerusalém. Alí ficou por cerca de 5 anos, até o ano 43. Nesta época, Barnabé, seu primo, que era discípulo em Antioquia, importante comunidade cristã fundada por S.Pedro, o levou para lá. Em 44 Paulo e Barnabé são encarregados pela comunidade de Antioquia para levar a ajuda financeira aos irmãos pobres de Jerusalém. No ano 45, por inspiração do Espírito Santo, Paulo e Marcos (o evangelista) foram enviados a pregar aos gentios (At 13,1-3). A primeira viagem durou cerca de 3 anos (45-48) percorrendo a ilha de Chipre a parte da Ásia Menor. No ano de 49 Paulo e Barnabé vão a Jerusalém para o primeiro Concílio da Igreja, para resolver a questão da circuncisão, surgida em Antioquia. A segunda viagem foi de 50 a 53, durante a qual Paulo escreveu, em Corinto, as duas cartas aos Tessalonicenses (At 15,36-18,22). São as primeiras cartas de Paulo. A terceira viagem foi de 53 a 58. Neste período ele escreveu ¨as grandes epístolas¨, Gálatas e I Coríntios, em Éfeso; II Coríntios, em Filipos; e aos Romanos, em Corinto. No final desta viagem Paulo foi preso por ação dos judeus e entregue ao tribuno romano Cláudio Lísias, que o entregou ao procurador romano Felix, em Cesaréia. Aí Paulo ficou preso dois anos (58-60), onde apelou para ser julgado em Roma; tinha direito a isso por ser cidadão romano. Partiu de Cesaréia no ano 60 e chegaram em Roma em 61, após sério naufrágio perto da ilha de Malta. Em Roma ficou preso domiciliar até 63. Neste período ele escreveu as chamadas ¨cartas do cativeiro¨ (Filemon, Colossenses, Filipenses e Efésios). Depois deste período Paulo deve ter sido libertado e ido até a Espanha, ¨os confins do mundo¨ (Rom 15,24), como era seu desejo. Em seguida deve ter voltado da Espanha para o oriente, quando escreveu as Cartas pastorais a Tito e a Timóteo, por volta de 64-66. Foi novamente preso no ano 66, no oriente, e enviado a Roma, sendo morto em 67 face à perseguição de Nero contra os cristãos desde o ano 64. S. Paulo foi um dos homens mais importantes do cristianismo. Deixou-nos 13 Cartas. Vejamos um resumo delas.
As Cartas aos Tessalonicenses
As duas cartas tem como tema central a segunda vinda de Jesus (Parusia), que as primeiras comunidades cristãs esperavam para breve e a sorte dos que já tinham morrido. Paulo admoesta a comunidade para a importância da vigilância. As cartas do Apóstolo depois delas falam mais do Cristo presente na Igreja do que da sua segunda vinda.
Tessalônica era porto marítimo muito importante da Grécia, onde havia forte sincretismo religioso e decadência moral; havia uma colônia judaica na cidade, e é na sinagoga que Paulo começa a pregar o Evangelho. Havia dúvidas sobre a iminente volta do Senhor.
Na segunda carta Paulo retoma o mesmo assunto, exortando os fiéis a trabalharem, uma vez que ninguém sabe a data da vinda do Senhor. As cartas devem ter sido escritas por volta do ano 52 quando estava em Corinto, durante a sua segunda viagem missionária pela Ásia.
A Carta aos Gálatas
São Paulo visitou os gálatas na segunda e na terceira viagem apostólica. É hoje a região de Ankara na Turquia. A carta foi escrita por volta do ano 54, quando Paulo estava em Éfeso, onde ficou por três anos. O motivo da carta são as ameaças dos cristãos oriundos do judaísmo que querem obrigar ainda a observância da Lei de Moisés. Paulo mostra que é a fé em Jesus que salva e não a Lei. E exorta os gálatas a viverem as obras do Espírito e não as da carne.
Esta carta é também um documento autobiográfico de São Paulo, além de ser um documento de alta espiritualidade.
A Carta aos Coríntios
Corínto ficava na Grécia, região chamada de Acaia, e no ano 27aC. Cesar Augusto, imperador romano, fez de Corinto a capital da província romana da Acaia. Foi nesta cidade portuária, rica e decadente na moral, que Paulo fundou uma forte comunidade cristã na sua segunda viagem. Aí encontrou o casal Átila e Priscíla que muito o ajudou. Paulo ficou um ano e seis meses em Corinto, até o ano 53. Na sua terceira viagem ele ficou três anos em Éfeso, também na Grécia, e daí escreveu para os coríntios. A primeira carta contém sérias repreensões dos pecados da comunidade: as divisões e a imoralidade. Em seguida dá respostas a questões propostas sobre o matrimônio, a virgindade, as carnes imoladas aos ídolos, as assembléias de oração, a ceia eucarística, os carismas, a ressurreição dos mortos, etc. É uma das cartas mais amplas de S. Paulo em termos de doutrina e disciplina na Igreja.
A segunda carta é bem diferente da primeira, não é tanto doutrinária, mas trata das relações de Paulo com a comunidade, e desfaz mal entendidos, inclusive, e faz a sua defesa diante de acusações sérias que recebeu dos cristãos judaizantes. Nesta carta Paulo mostra a sua alma, seus sofrimentos e angústias pelo reino de Cristo. Resume-se na frase: ¨É na fraqueza do homem que Deus manifesta toda a sua força¨ (2Cor 12,9).
A Carta aos Romanos
A carta aos romanos é bem diferente das outras cartas de São Paulo, pelo fato de ser uma comunidade cristã que não foi fundada por ele, o que foi feito por S. Pedro. Esta carta foi escrita no final da terceira viagem missionária de Paulo, em Corinto, por volta do ano 57/58a fim de preparar a sua chegada em Roma. É uma carta onde temos o ponto mais elevado da elaboração teológica do apóstolo. Não trata de assuntos pessoais, mas da vida cristã, a justificação por Cristo que nos faz ser e viver como filhos de Deus e mostra a Lei de Moisés como algo provisório na história do povo de Deus. O ponto alto da carta é o capítulo 8, onde mostra que a vida cristão é uma vida conforme o Espírito Santo, que habita em nós, nos leva à santificação, vencendo as obras da carne, levando-a à transfiguração no dia da ressurreição universal. Tudo foi preparado por Deus Pai que nos fez filhos no Seu Filho, a fim de dar a Cristo muitos irmãos, co-herdeiros da glória do Primogênito (8,14-18).
As Epístolas do Cativeiro
Essas cartas são as escritas a Filemon, aos Colossenses, aos Efésios e aos Filipenses. Cada uma delas apresenta Paulo prisioneiro (Fm 1.9.10.13; Cl 4, 3.10.18; Ef 3,1; 4,1; 6,20; Fl 1, 7.13s). Trata-se do primeiro cativeiro em Roma (At 27,1-28). Paulo também esteve preso em Filipos (At 16,23-40); Jerusalém (At 21,31-23,31), em Cesaréia (At 23,35-26,32); em Roma segunda vez (2Tm 1,8.12.16s; 2, 9).
Carta a Filemon
Quando Paulo estava preso em Roma pela primeira vez, entre os anos 61- 63, foi procurado pelo escravo Onésimo, que fugira de seu patrão Filemon em Colossos e procurou abrigo em Roma. Pela legislação judaica o escravo fugitivo não devia ser devolvido ao dono (Dt 23,16), diferente da lei romana que protegia o patrão. Então Paulo devolve Onésimo a a Filemon, cristão, e pede-lhe que pela caridade de Cristo, receba o escravo não mais como coisa, mas como um irmão. É a primeira declaração dos direitos humanos no cristianismo.
Carta aos Filipenses
Filipos era uma grande cidade fundada por Filipe II, pai do Imperador macedônio Alexandre Magno, e que o imperador romano Augusto transformou em importante posto avançado de Roma (At 16,12). Durante suas viagens Paulo esteve três vezes em Filipos, e fez fortes laços de amizade com os cristãos. Esta carta é chamada de ¨a carta da alegria cristã¨, por repetir 24 esta palavra, aos filipenses que sofriam perseguições, como ele na prisão. ¨Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos! ¨ (Fl 4,1). Nada pode tirar a alegria daquele que confia em Jesus.
Carta aos Colossenses
Colossos era notável centro comercial, que ficava na Frígia, na Ásia Menor, a 200 km de Éfeso, próxima de Laodicéia e Hierápolis. Paulo esteve por duas vezes na região da Frígia. O motivo da carta são os pregadores de ¨doutrinas estranhas¨, provocando um sincretismo religioso, com elementos judaicos, cristão e pré-gnósticos. Paulo fala do primado absoluto de Jesus Cristo, numa linguagem que os gnósticos entendiam. O ponto alto da carta é o hino cristológico (1,15-20) que mostra Cristo como o primeiro e o último, o Senhor absoluto no plano da criação e da redenção.
Carta aos Efésios

Resumo da religiao do seculo xviii

Abaixo você terá a oportunidade de ler em forma resumida ou em pinceladas os principais eventos históricos do desenvolvimento da igreja. Você poderá, a partir desse resumo, fazer novas pesquisas de aprofundamento do tema.

SÉCULO II
A maioria das igrejas cristãs se opõe à igualdade entre homens e mulheres.

Tertuliano - A filosofia é supérflua e perigosa. A fé é suficiente para o cristão. A aceitação da fé cristã importa na renúncia ao direito de examiná-la livremente. A fé é um fato objetivo e, por isso, não admite progresso.

Alguns autores sustentam que a famosa expressão creio porque é absurdo (credo quia absurdum) jamais por utilizada por Tertuliano.

SÉCULO IV
Gregório de Nissa - As seqüelas do pecado são a sexualidade e a morte, porque faziam parte do plano original da criação a imortalidade e a multiplicação da espécie humana por um modo puramente espiritual.

O Concílio de Nicéia, em 325, condena a gnose e suas diversas escolas.

SÉCULO V
A Igreja estimula o celibato e tolera o casamento em relação àqueles que não se podem controlar. A vida sexual ativa, mesmo dentro casamento, é considerada pecaminosa, pois a finalidade da relação sexual, segundo Igreja, não é o prazer, mas a procriação. Por isso, São Jerônimo adverte que um homem ardente prostitui a esposa.

Em 425, o concílio Nicéia veda aos eunucos o acesso eclesiástico. O concílio de Arles, no seu cânone 7º, confirma essa proibição.

O concílio de Toledo, em 446, reafirma a existência do diabo.

O arcebispo Proclus, em 428, declara que a Virgem Maria foi fecundada pelo ouvido e também por ele deu à luz.

O Pseudo-Dionísio fixa a hierarquia angélica. Posteriormente, estes seres espirituais ficaram ligados às esferas das estrelas para mantê-las em movimento. Os serafins giravam o Primum Móbile; os querubins, a esfera das estrelas fixas; os tronos, a esfera de Saturno; as dominações, virtudes e potestades, as esferas de Júpiter, de Marte e do Sol; os principados e arcanjos, as de Vênus e Mercúrio; os anjos, a da Lua.

Agostinho - No estado original, o homem era completamente livre, podendo escolher entre o bem e o mal. Com a queda, porém, ele perdeu a liberdade de escolher o bem, tornando-se propenso a pecar. A sua anterior possibilidade não pecar (posse non peccare) se converteu, atualmente, na impossibilidade de não pecar (non posse non peccare) , ou seja, na necessidade de pecar (necessitas peccandi). O homem, no entanto, pode praticar atos meritórios. Este, porém, não modificam sua natureza vocacionada para o mal. E essa natureza essencialmente má é transmissível hereditariamente. Esta culpa herdada, embora removida pelo batismo na qualidade de pecados original, permanece como perversão da vontade, impedindo o homem de ser essencialmente bom, e, assim, livre para escolher o bem.

SÉCULO VI
Os concílios de Agde (506) e de Yene (517 proíbem os abades de emanciparem os escravos dos domínios recebidos por doação de particulares.

Em 547, a Igreja afirma oficialmente a existência do inferno e dos demônios e, em 593, institui o purgatório.

O sínodo de Mâcom, em 585, torna obrigatório o pagamento do dízimo, até então facultativo, sob pena de excomunhão.

SÉCULO VIII
A Igreja cria os rituais de sagração real para ungir os reis, afirmando a autoridade sacra da realeza.

Em 754, o papa também se torna soberano temporal e, em 756, nasce o Estado da Igreja.

A Igreja institui a prática da confissão secreta. E os monges adquirem o direito de ouvir as confissões dos fiéis, então prerrogativa exclusiva dos bispos e seus penitencieiros.

SÉCULO IX
O papa Leão IV repete a advertência do papa Gregório I, o Grande, que recomendava aos cristãos obedecer a vontade armada da igreja.

SÉCULO XI
O concílio de Reims condena a simonia, o casamento clerical, a venda de ordens e proíbe a cobrança de emolumentos para Eucaristia, os funerais e os serviços a doentes.

Os judeus começam ser marginalizados nas sociedades cristãs. São encerrados em guetos, marcados com sinais distintivos da estrela amarela e do chapéu pontudo. E passam a ser considerados como responsáveis por todas as catástrofes na condição de bode expiatório. Essa situação se prolongará até o século XVII.

É motivo de escândalo, entre os cristãos, a opulência do clero em contraste com a miséria do povo. Isso provocará uma reação violenta contra a hierarquia eclesiática com a pregação das virtudes da indigência, cujo exemplo maior será Francisco de Assis, no século XIII.

A prática das doações pias chega ao apogeu. O moribundo negocia seus bens terrenos em troca da salvação de sua alma.

Papa Urbano II (? - 1099)
Em 1095, autoriza a primeira cruzada. As cruzadas prosseguirão até 1204.

Informa Norman Cohn (Na Senda do Milênio) que Urbano II “oferecia recompensas impressionantes àqueles que participassem na Cruzada. Um cavaleiro que em boas intenções o fizesse obtinha remissão das penas temporais de todos os pecados; e se morresse a lutar, todos pecados lhe seriam perdoados. E também não faltavam recompensas materiais”.

Papa Gregório VII (1100-1187)

Distingue-se por seu combate à investidura leiga dos cargos eclesiásticos. Isto é, a investidura de bispo por determinação de príncipes. Foi mais além: afirmou que ao papa assiste o direito de depor imperadores.

Desencadeia a chamada “Reforma Gregoriana”, ou “Questão da Investidura”, quebrando a antiga tradição, mediante a qual o poder temporal, representando pelo monarca, decidia sobre a nomeação dos bispos. Com a reforma, somente o papa passou a ter essa prerrogativa.

Em 1075, proclama que só ele pode dispor das insígnias imperiais. E determina que o papa é o único cujos pés devem ser beijados por todos príncipes e não pode ser julgado por ninguém. É a afirmação do ideal teocrático da Igreja, o qual, no século seguinte, será reforçado pela doutrina dos dois gládios, de São Bernardo. Proclama, ainda, soberanos e os decretos papais e considera o papado superior a qualquer poder temporal. Impõe o celibato clerical e unifica a liturgia.

No seu pontificado, a Igreja alcança o auge de seu poder no Ocidente.

SÉCULO XII
Culto prestado a Satã se expande, principalmente na Alemanha e na Áustria.

Em 1170, a Santa Sé se reserva o direito de canonizar santos.

A Igreja começa a caça aos legados e às doações pias. O papa Alexandre III decreta que nenhum testamento será válido se não for feito na presença de um padre.

A Igreja alcança o mais alto grau de unidade interna e de influência externa. Estabelece os sete sacramentos. E inicia a perseguição contra a heresia com emprego de torturas.

A partir de 1184, começa a organizar-se a Inquisição.

A santidade, até então considerada como resultado da predestinação, passa também a ser conseqüência do ascetismo e da caridade.

A autoflagelação é admitida como forma de penitência.

Surge a crença nos pactos com o diabo, o qual marcava os seus fiéis. Essa crença vai até o século XVII.

Muda a concepção do além ou da vida no além, com a separação da alma do corpo.

Surge a idéia da ressurreição coletiva.

Em 1152, Bernardo lança a doutrina dos dois gládios, insinuando que o gládio material e o gládio espiritual pertencem à Igreja: o primeiro deve ser manejado a favor da Igreja e o segundo, pela Igreja.

João de Salisburg afirma que, se um príncipe interfere na autoridade da Igreja, ele é um tirano e, nesse caso, se não houver outra solução, o seu assassínio é justificado.

SÉCULO XIII
Um edito (1259) proíbe os banqueiros de Florença de usar os algarismos árabes, considerados símbolos “infiéis”.

É instituído o sacramento do matrimônio.

O papado se mundaniza. Os papas se tornam, principalmente, administradores e estadistas, criando uma burocracia invejável. Negociam com banqueiros e monarcas. Promovem guerras e alianças. O papado é uma réplica da corte. É o século mais fértil de toda a história da Igreja, não só no campo teológico, mas também político. Por isso, é considerado o século teológico por excelência.

Começa a expansão da Cristandade romana.

O Juízo Final é tido como o dia da vingança dos pobres.

O testamento se torna o meio de uma pessoa exprimir os seus pensamentos e fazer disposições finais. Os funerais passam a ser cada vez mais religiosos e cada vez menos civis. O testamento se torna religioso.

Surge a idéia do inferno, ofuscando o batismo, o julgamento final e a ressurreição dos mortos.

A Igreja proíbe os fieis de ler a Bíblia sem autorização.

Um pregador franciscano estima probabilidade de o homem se salvar na proporção de 1 em 1.000.

O concílio de Rouen (1231) proíbe danças no cemitério ou na igreja, sob pena de excomunhão.

O papa Inocêncio IV, em 1252, na bula “ad extirpanda” autoriza a Inquisição a usar a tortura. Em 1274, ocorre a primeira condenação à morte pelo Tribunal da Inquisição.

Começa a ser utilizada a palavra sobrenatural.

Dada a dificuldade de se estabelecer uma distinção entre milagre de origem divina e feitiçaria, a Igreja, em 1215, resolve abolir a prática do ordálio, o famoso “juizo de Deus”, como prova jurídica.

A autoflagelação que, no século passado, constituía uma forma de penitência, passa a ter um valor escatológico, assegurando não só a salvação do flagelado, mas de toda humanidade.

Iniciam-se as flagelações públicas coletivas.

Na Itália, em 1260, surge o movimento dos flagelantes, uma paranóia mística que procura resgatar pecados, infringindo castigos físicos ao corpo, considerado instrumento pecaminoso.

A Inquisição esmaga o Catarismo. Montségur, o último bastião cátaro, é destruído em 1295.

O IV concílio Laterano, em 1215, prescreve que a confissão deve ser feita, no mínimo, uma vez por ano.

A crença no diabo e nas bruxas se torna canônica.

Concílio de Latrão

Sanciona a doutrina da transubstanciação.

Torna obrigatória a confissão uma vez por ano.

Proíbe aos médicos, sob pena de excomunhão, de empreender tratamento médico sem a solicitação prévia de conselho eclesiástico.

Proibe, com punição, os heréticos e judeus, de exercer emprego público, ter criados cristãos, obrigando-os a usar roupa especial ou uma faixa também especial a fim de que possam ser distinguidos de outras pessoas.

Autoriza os padres a receberem a confissão anual.

Obriga os bispos a perseguir e a punir, em sua diocese, todos heréticos.

Em 1231, o papa Gregório IX entrega direção da Inquisição aos dominicanos, porque estavam mais diretamente envolvidos na luta contra as heresias.

Em 1235, o papa Gregório IX e São Luís ordenam, após o concílio da Narbonne, que todo testamento feito sem assistência de um padre será nulo e o testador, assim como o notário, excomungados. A Igreja, com essa medida, começa a aumentar o seu patrimônio material.

Gregório IX promulga os exorcismos.

Tomás de Aquino defende o estatuto da escravidão: “a escravidão entre os homens é natural”.

Na sua “Suma contra Gentiles”, assevera que a influência dos astros se limita ao corpo, mas pode influir indiretamente sobre o psiquismo.

Alberto Magno. O seu espírito científico se revela no seu discernimento em relação à natureza dos fenômenos paranormais, então tidos como milagrosos. Por isso, afirmou: “Todas as maravilhas que o povo atribui ao demônio, ou são falsidades ou são fenômenos naturais. Há homens que, pelo poder da vontade, podem produzir os fenômenos e as curas mais maravilhosas.”

SÉCULO XIV

Os concílios de Ravena (1311) e, no século seguinte, o de Paris (1429) proíbem a presença de médicos no quarto do doente, se este, anteriormente e, não tiver recebido a visita do seu confessor. Advertem, também, aos médicos que não forneçam qualquer medicação aos moribundos que tenham recusado a presença de um padre para assisti-los.

Começa a obsessão pela ação demoníaca no mundo.

Surgem a “missa negra” e a missa de corpo presente.

Difunde-se o movimento dos flagelantes.

Surge a seita dos dançantes (1374), maníacos religiosos que dançavam loucamente nas ruas até a exaustão. Diziam que, no seu êxtase, viam, no céu, Jesus Cristo sentado ao lado da Virgem Maria.

Desenvolve-se a crença de que as boas ações praticadas pelos homens formam uma reserva de virtudes, ou tesouro espiritual, de propriedade da comunidade cristã e administrada pela Igreja. A crença neste tesouro é oficialmente reconhecida em 1343. Os monges passam a ser considerados importantes acumuladores de virtudes, gerando-se o costume de lhes serem doados bens de toda natureza para a salvação dos doadores, mediante orações intercessórias. Com isso, a Igreja se torna a distribuidora destes bens aos necessitados e merecedores.

O mosteiro de Cluny se beneficia com essa prática e desenvolve toda uma liturgia fúnebre com a cristianização da festa pagã dos mortos. Segundo os monges cluniacenses, as orações em intenção dos mortos abreviam o tempo de seu castigo. Em virtude disso, a Ordem passa a receber doações, como retribuição por esses serviços.

O papa Clemente V dirige carta ao rei Eduardo II e a todos os bispos da Inglaterra, protestando contra o pouco uso da tortura por parte dos inquisidores. Alega que tal fato constitui uma grave ofensa à lei eclesiástica. Em 28 de abril de 1311, o rei recomenda abertamente o emprego da tortura.

SÉCULO XV

Exacerba-se a idéia do inferno.

Começa, na Alemanha, a caça às feiticeiras.

A visionária Joana D'Arc (1431) é queimada viva por ordem da Inquisição.

O papa Inocêncio VII expede uma bula (1484), legalizando a perseguição às feiticeiras. E recomenda aos inquisidores o uso de tortura para obter as confissões.

Sprenger e Kramer publicam o livro "Malleus Maleficarum" ou o "Martelo das Feiticeiras", espécie de manual para os inquisidores.

Nos últimos anos do século, o Apocalipse se torna preocupação dominante na Europa.

O dominicano Torquemada, judeu cristão, manda queimar cerca de 2.000 pessoas na Espanha.

Inocêncio VIII expede, em 1484, uma bula onde justifica os métodos utilizados pelos dominicanos na Inquisição, como também a cremação das bruxas.

Em Florença, os abusos da maquilagem leva o clero a exortar a Deus para que lance ao inferno as mulheres que usam este artifício.

SÉCULO XVI
O fanatismo religioso chega ao auge na célebre “Noite de São Bartolomeu” (24 de agosto de 1572), com o massacre de mais de 3.000 protestantes em Paris. Quase no fim do século (1598) o Edito de Nantes decreta a liberdade religiosa em França. Essa perseguição aos huguenotes começou em 1562.

O bispo de Yucatan, Diego de Landa, manda incinerar publicamente, em 1562, na cidade de Mani, todos os livros maias existentes. Os três que foram poupados contêm apenas figurações sobre astronomia e religião.

Por volta de 1550, surgem os convulsionários. Essa epidemia européia ataca preferentemente as freiras.

A perseguição às feiticeiras alcança o seu apogeu.

Jean Wier calcula, em 1564, que existe 7.409.127 demônios, sob o comando de 79 príncipes infernais.

O anti-judaísmo chega ao auge, sob o pontificado de Paulo IV (1555-1559) e Pio V (1566- 1572).

A Inquisição (1553) faz queimar publicamente o Talmude, com a aprovação do papa Júlio III, na bula “Cum Sicut Nuper”.

Em 1557, a Inquisição proíbe que os judeus possuam outros livros religiosos além da Bíblia.

Em 1559, o Talmude é incluído no Índex.

Lutero, em seus “Colóquios”, afirma que a criança gerada por um súcubo não vive mais de sete anos.

Para a Igreja, o grande inimigo do padre é a mulher. São Carlos Borromeu, nas suas “Instruções aos Confessores”, aconselha que, num conflito conjugal, o confessor jamais reconheça o erro do marido diante de sua esposa, ainda que ele seja o único culpado.

O Calvinismo introduz a pena de morte para o adultério, a heresia e a blasfêmia.

Constitui como crime trabalhar no domingo e estabelece o dever de todos ir à igreja.

Proíbe a observância do Natal e por ser dia santo do Catolicismo.

O teatro é condenado.

E recomenda às mulheres que sejam vergonhosas e tímidas.

O Concílio de Trento reativa o Tribunal da Inquisição e, na Espanha, o Santo Ofício alcança a sua maior virulência.

A Igreja se mundaniza. O papa disputa com os monarcas o controle do poder temporal. Forma alianças políticas com príncipes e imperadores. Guerreia. Mantém uma corte luxuosa a custa das contribuições dos fieis. Protege os artistas.

As eleições para o cargo de papa provocam sérios conflitos políticos entre as famílias italianas.

O papado negocia a salvação e, com isso, acelera a Reforma Protestante. As indulgências são vendidas com a intermediação de estabelecimentos bancários e os lucros repartidos com os banqueiros financiadores da construção da basílica de São Pedro, em Roma. A venda das indulgências é o maior escândalo religioso do século. Banqueiros como os Fuggers, de Augsburgo, recebem comissão de 1/3 do valor das vendas realizadas. Leão X foi um grande papa comerciante, negociando as indulgências e os cargos eclesiásticos, auferindo lucros extraordinários.

Recrudescem os movimentos milenaristas, destacando-se a figura de Thomas Muntzer e culminando com a revolta dos camponeses e em 1524.

A Igreja endurece o seu combate à feitiçaria.

A Igreja reage à Reforma: faz de Ignácio de Loyola o seu defensor e se apóia nas resoluções do Concílio de Trento.

Concílio de Trento (1545-1563)

É um dos mais importantes concílios da Igreja em todos os tempos.

Estabelece que a fonte do cristianismo não é só a Bíblia, mas a tradição da Igreja e só esta tem o poder de interpretar os livros sagrados.

Afirma a existência do purgatório.

Recomenda a veneração dos santos.

Regulamenta o casamento religioso e o considera acima do Estado. Consagra a sua indissolubilidade e condena o concubinato.

Torna obrigatório o celibato clerical.

Adota, oficialmente, a Vulgata como texto autêntico da Bíblia latina.

Reafirma todos dogmas atacados pela Reforma.

Declara que a lei sobre as boas e a fé são necessárias à salvação e que os sacramentos são meios indispensáveis para a obtenção da graça.

Mantém a supremacia papal, sugerindo que a sua autoridade transcende até a do próprio concílio da Igreja.

Proíbe a venda das indulgências e suspende, temporariamente, a sua concessão.

Prescreve que, em cada diocese, seja fundado um seminário de teologia como solução contra a ignorância do clero.

Equipara a curiosidade científica ao pecado original de estabelecer censura dos livros para coibir as heresias.

Um ano após o concílio (1564), é publicada, por indicação de uma comissão nomeada para esse fim, uma lista de obras de leitura proibida pela Igreja, o que resultou na instituição formal do Índex dos Livros Proibidos.

No auge da perseguição às feiticeiras, os conventos são avassalados por possessões demoníacas como decorrência da histeria, de fundo sexual, das freiras.

Aumenta a virulência da sífilis e as doenças venéreas são atribuídas ao pecado.

SÉCULO XVII
Os teólogos protestantes acreditam que, em 1616, ocorrerá o fim do mundo. Afirmam, também, que o papa é o Anticristo.

Acusado de enfeitiçar as freiras ursulinas de Loudun, perto de Poitiers, o padre Urban Grandier, apesar de protestar inocência, é queimado vivo em praça pública em 18 de agosto de 1634. Começa, a partir daí, uma verdadeira epidemia de “possessões demoníacas”.

O jurista alemão Benedikt Carpzov, principalmente com fundamento na Bíblia, assina sentenças de morte contra 20.000 bruxas.

Generaliza-se o ato de celebrar missas para a salvação dos mortos. E começam as orações pelas almas do purgatório.

A Igreja reprova a familiaridade com os mortos e ameaça construir muros ao redor dos cemitérios, os quais deixam de ser o centro da vida social.

A Igreja divide a pobreza em duas categorias: a pobreza submissa e a pobreza insubmissa. Ambos os casos, porém, constituem motivo de internação, seja a título de benefício ou de punição.

SÉCULO XVIII
Papa Clemente XII, grande incentivador das ciências e das artes, decreta, em 1738, a primeira condenação da Maçonaria.

Os papas Clemente XIII (1738) e Bento XIV (1751) proíbem o ingresso dos católicos nas lojas maçônicas sob pena de excomunhão.

SÉCULO XIX

O concílio Vaticano I proclama a infalibilidade doutrinária do papa.

SÉCULO XX

Pio XII proclama, em 1950, o dogma da Assunção de Maria.